R$ 82 mil mensais resolvem a vida do Operário em 2006
Presidente Silvio Cosmoski Júnior já tem montado o projeto para a campanha da próxima temporada
- Neomil Macedo - Diário dos Campos
PONTA GROSSA – Está tudo na ponta do lápis. O presidente do Operário Ferroviário tem em mãos um projeto com toda a estrutura necessária para a formação de um time forte para a disputa da Série Prata 2006, a segunda divisão do Campeonato Paranaense de Futebol. No total, a campanha da próxima temporada vai custar R$ 82,9 mil, incluindo a folha salarial dos atletas, comissão técnica, pessoal de apoio e logística. Os valores pormenorizados dessa conta estão inclusos num ‘portfólio’ elaborado pela diretoria alvinegra e que deverá ser distribuído para empresários e autoridades da cidade e região, caso o presidente Silvio Cosmoski Júnior consiga recursos ou patrocinadores para sua impressão. Ele espera tirar duas mil cópias do material.
“Temos que nos organizar e buscar recursos”. Essa é a receita de Cosmoski para ver o Operário campeão da “Segundona” em 2006, sempre lembrando que o objetivo principal da campanha será a vaga para a primeira divisão. “Se não conseguirmos fazer isso, infelizmente a cidade ficará sem futebol”, alerta o presidente alvinegro, lembrando de todas as dificuldades enfrentadas na campanha deste ano, quando, na base da voluntariedade e espírito de união e luta do grupo formado pelo técnico Ricardo Pinto, o glorioso Fantasma ficou a um passo do sonhado retorno à divisão principal do futebol estadual. “Essa garra é muito importante numa competição como a segunda divisão, mas apenas isso não resolve os nossos problemas”, completa o dirigente.
Para Silvio Cosmoski, a reestruturação do Departamento de Futebol de Vila Oficinas passa, necessariamente, pela criação do cargo de supervisor, remunerado. “Na campanha deste ano, eu praticamente acumulei todas as funções burocráticas do clube, contando com a colaboração e apoio de amigos mais próximos”, reclama o dirigente alvinegro, observando que o presidente não pode ficar se preocupando com detalhes do dia-a-dia do Departamento do Futebol. “Ao presidente cabe a responsabilidade de viabilizar toda a estrutura necessária para que as atividades do clube caminhem dentro do planejado”, completa Cosmoski, acrescentando que essa será sua missão em 2006.
Para ocupar o cargo de supervisor Cosmoski aponta o nome de Sérgio Rosa, bastante conhecido no cenário do futebol, com passagens pelo Paraná Clube, Paysandu e outras equipes e esteve a um passo de acertar com o Operário na campanha de 2005. Isso só não aconteceu porque o clube não dispunha de recursos para pagar seus salários. “Há duas semanas ele organizou uma ‘peneirada’ para as categorias de base do Corinthians”, comenta o presidente do Fantasma. “Trata-se de uma pessoa bastante experiente e que poderá contribuir em muito para que tenhamos uma campanha vitoriosa”, afirma Cosmoski, lembrando que no campeonato deste ano, além dele, o técnico Ricardo Pinto também ficou sobrecarregado em suas funções. “O treinador precisa conhecer e saber de tudo que acontece no clube, mas a sua preocupação maior deve ser o comando técnico da equipe”, sentencia o presidente, mais uma vez.
Presidente admite até terceirização
Apesar de duas tentativas frustradas de parceria, em 2004 e 2005, o presidente do Operário Ferroviário não descarta a possibilidade de terceirizar o Departamento de Futebol do clube. Para o presidente, se aparecer uma empresa ou empresário disposto a investir no clube, ele vai estudar a proposta. “Se a empresa tiver um projeto sério e demonstrar que tem condições de bancar não apenas o time profissional, mas também as categorias de base do clube, não vejo razão para não ingressar numa parceria”, comenta Cosmoski.
Para o presidente do Operário, as duas tentativas de parceria do clube, primeiro com a NC Esportes, no final de 2004, e depois com a W3 Publicidade, serviram de experiência para a diretoria alvinegra, que acreditou nos propósitos das duas empresas. “Eles tiveram as mesmas dificuldades que nós sempre encontramos para a captação de recursos”, comenta o dirigente, ao observar que trabalho deve ser feito dentro da realidade da cidade e principalmente do torcedor ponta-grossense. “Não adianta prometer uma revolução, se todos sabem que o clube não dispõe de recursos e estrutura para isso”.
Elenco profissional custará R$ 50 mil
O ‘portfólio’ elaborado pelo presidente Silvio Cosmoski tem tudo o que se precisa saber do Operário Ferroviário. O documento inicia com um histórico do clube e o posicionamento geográfico e potencial econômico de Ponta Grossa. Depois vem a parte que realmente interessa, com uma explanação detalhada da estrutura necessária para a manutenção do Departamento de Futebol e como o empresários podem ajudar o clube. Além de várias modalidades de publicidade, nos muros externos do estádio, nas muretas do campo e uniforme e permutas, o clube oferece a oportunidade do empresário se tornar um conselheiro do clube.
Através do projeto “Conselheiro Fantasma”, o presidente Silvio Cosmoski Júnior espera montar uma espécie de “conselho de notáveis”, que se encarregaria de viabilizar as atividades do clube, buscando apoios institucionais e financeiros, além de contribuir com uma mensalidade de R$ 1 mil. A meta seria reunir perto de 100 pessoas nesse conselho, o que já daria ao clube o mínimo necessário para a campanha de 2006. “Acredito que se chegarmos a 50% dessa meta, já será um bom ponto de partida”, diz o presidente do Operário.
A planilha de custos do Operário inicia com a melhoria das condições de alojamento dos atletas e um trabalho profissional na secretaria, para registro de atletas e outros procedimentos burocráticos, e divulgação do clube, através de uma página na Internet, ônus esse orçado em R$ 13 mil por mês. Os salários das comissões técnicas do time profissional e das categorias sub-20 e sub-17, mais o pessoal de apoio, deverão consumir R$ 19,9 mil. A comissão do time profissional será formada pelo supervisor, técnico, auxiliar-técnico, preparador físico, preparador de goleiro, medido, roupeiro e massagista. Na base, haverá apenas o treinador e preparador físico.
O elenco profissional, como não poderia deixar de ser, fica com maior parte do bolo. Cosmoski prevê a formação de um plantel com cerca de 25 atletas, pagando salários de R$ 2 mil, em média, o que totalizaria R$ 50 mil. As categorias de base deverão ser incluídas no programa de incentivo a atletas da Secretaria Municipal de Esporte e Recreação. Segundo o presidente alvinegro, o secretário de Esportes e Recreação, Carlos Roberto Ferreira, já se comprometeu em apoio o trabalho de base do clube. As demais despesas, como taxas de arbitragem e federativas, FGTS e INSS, bilheteiros, gandulas e outros itens serão cobertos com os borderôs dos jogos. “Tenho certeza que a torcida continuará sendo o ‘maior patrocinador’ do Operário”, diz Cosmoski.
Grande Nação Operariana da Vila!
Temos que apoiar esse projeto do Presidente Cosmoski, porque só assim o nosso querido FANTASMA voltará aos tempos de glórias, ASSOMBRANDO os timinhos da Capital e fazendo com que os nossos “frequeses” do interior do Paraná fiquem admirados com a força da nossa torcida.
FORÇA FANTASMA!
Por um 2006 mais forte e planejado, sendo assim, consquistaremos a tão sonhada vaga para a primeirona em 2007!
Um Feliz Natal e Próspero 2006 a todos !!
Rodrigo
Rodrigo Otávio Forville de Andrade escreveu em December 19th, 2005 at 9:05 am
Entendo louvável a proposta apresentada pelo Presidente do clube.
Entretanto, caso se queira ter um clube que realmente honrará as origens operarianas é necessário uma reformulação total. Não há mais margens para aventuras futebolescas que inflam o torcedor de esperança e ao final de cada ano se desabrocham em amarguras.
Quem não lembra do Operário que disputou a 2ª divisão do Campeonato Brasileiro e quando quase estivemos na 1ª divisão. Qu e por empatarmos com a Catuense na Bahia perdemos a chance. Que doces lembranças da minha adolescência.
Certo é que o Operário tem de ser forte, e para isto o amadorismo tem que ser deixado de lado, com a contratação de profissionais que poderão levar o clube as vitórias que almejamos.
Mas isto, somente será viável com um trabalho árduo em busca da profissionalização de todo o departamento de futebol e com a administração do clube como uma empresa.
Além da busca por investidores, como aconteceu com o Juventude do RS, quem não lembra do Juventude jogando aqui em PG contra o operário!
Podemos chegar lá, só depende de projeto, boa vontade e planejamento.
Vamos lá Operário em busca de novas conquistas!
Marcos Luciano de Araujo escreveu em December 19th, 2005 at 3:33 pm
Exemplo de administração em Maringá !
É, realmente no que tange a administração, tem-se de se tirar o chapéu aos maringaenses. São R$ 11.240.950,00 conseguidos pelo Prefeito Municipal Silvio Barros junto ao Ministro dos Esportes Agnelo Queiroz para a construção de uma vila olímpica em Maringá. Esta será referência para o esporte paranaense, tendo sido promessa de campanha do atual Prefeito Municipal Silvio Barros, que nos mostra como governar um município e confirma que o serviço público deve sim atuar na área esportiva.
Infelizmente para nós ponta-grossenses, só nos resta ficar admirando as grandes conquistas da cidade de Maringá, como também do norte do Estado, como sempre foi. Ironicamente, temos que nos conformar com a nossa pobreza administrativa que se inicia na porta de entrada da cidade com nossa desmoronante rodoviária, que já demonstra o que é a cidade, passando pela pobreza e sujeira do calçadão que nos conduz a obra faraônica do terminal e parque ambiental repleto de sujeira e de uma lindíssima piscina sem água e com lonas de circo empodrecidas pelo tempo. Também precisa-se destacar o nosso maravilhoso estádio de futebol, referência para a região.
A grande verdade é que ter poderio financeiro para a campanha eleitoral não significa ter capacidade para administrar. Qualquer um que de voltas pelas nossas ruas, verifica a má conservação dos asfaltos, bastante esburacados, da limpeza das ruas, cheias de matos e lixo, como também da pobreza e deficiência da saúde e educação.
Quanto a nós operarianos, alguns órgãos da imprensa e pouquíssimos empresários, com capacidade para visualisar um futuro melhor para a nossa cidade através do esporte, não nos resta fazer muito, afinal já o fizemos em 2005 e nada resolveu, nossos representantes não tem uma visão privilegiada como os de Maringá, a mentalidade é estreita e alguns poucos lucram mesmo é com a pobreza e conseqüentemente com a ingenuidade da população.
Enfim, feliz natal aos operarianos, mas com enfeites natalinos baratos, poucos e bem espalhados pela cidade para dar uma impressão impactante da coisa.
Marcos Borkowski escreveu em December 21st, 2005 at 7:29 pm