Sílvio Gubert se desliga oficialmente do Operário

Presidente afastado do Conselho Deliberativo do
clube assinou “carta-renúncia” na última quinta-feira


Gubert: de torcedor fanático a “vilão” do Fantasma

- Neomil Macedo - Diário dos Campos

PONTA GROSSA – O “caso bruxo” ainda rende dores de cabeça para a diretoria do Operário Ferroviário, muito mais do que a crônica falta de dinheiro em Vila Oficinas. Esta semana ainda o clube teve ameaçada sua participação na Divisão de Acesso (antiga Série Prata), caso não apresentasse à Federação Paranaense de Futebol (FPF) um documento comprovando o afastamento do presidente do Conselho Deliberativo (Codof), Silvio Gubert, pivô de toda o escândalo que envolveu a arbitragem do futebol paranaense em 2005. No programa “Histórias do Esporte”, da ESPN Brasil (canal a cabo), levado ao ar em 28 de agosto do ano passado, Gubert denunciou a existência de um “bruxo” no futebol paranaense, responsável pelo “acerto” de resultados e pagamento de um “mensalão” aos árbitros envolvidos no esquema.
Após as declarações de Gubert houve uma avalanche de denúncias envolvendo a arbitragem do futebol paranaense, colocando numa mesma vala não apenas os árbitros, mas também dirigentes de clubes e membros da alta cúpula da FPF e da Comissão de Arbitragem da entidade. Gubert procurou amenizar as declarações que deu à ESPN, alegando que se referia a “histórias” que correm nos bastidores do futebol e não especificamente a um esquema para beneficiar o Operário ou outras equipes na Série Prata. Isso não evitou que ele fosse julgado e condenado pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR), juntamente com outros envolvidos no caso. Eliminado do futebol (a sentença foi homologada pelo STJD), ele não pode mais exercer qualquer cargo tanto no âmbito do clube como em quaisquer órgãos do setor esportivo.
A ameaça velada de tirar o Operário Ferroviário da disputa da Divisão de Acesso partiu da FPF, uma vez que Gubert havia se afastado do clube, apenas informalmente. Mesmo após sua eliminação do esporte, oficialmente ele seguia na presidência do Codof, com mandato até dezembro deste ano, quando o clube deverá promover eleições tanto para o Conselho Deliberativo como para a presidência e diretoria. “Vocês apresentam um documento comprovando o desligamento do Gubert ou estão fora do campeonato”, teria dito uma figura graduada da FPF ao presidente Silvio Cosmoski, na última quinta-feira. Foi o que bastou para que viessem na lembrança do presidente todos os dissabores enfrentados pelo clube em 2005, em função da polêmica causada por Silvio Gubert.
O alerta vindo da FPF provocou uma “operação de emergência” em Vila Oficinas. Na noite de quinta-feira mesmo, uma comissão de diretores localizou Silvio Gubert (desde o episódio do ano passado, ele tem se isolado em sua propriedade no Distrito de Guaragi), que concordou em assinar uma ‘carta-renúncia’, desligando-se oficialmente do Operário. O documento, reconhecido em cartório, foi protocolado ainda ontem junto à FPF, pelo próprio presidente Silvio Cosmoski Júnior, que acredita, agora, estar definitivamente livre do “caso do bruxo”. Caso Gubert não assinasse a renúncia, havia um ‘plano B’, para convocação de uma assembléia extraordinária, tendo como pauta única a destituição do presidente do Codof.
“Isso já faz parte do passado”, diz o presidente do Operário, que não gosta de falar do “caso bruxo”. Para ele, cada vez que se toca nesse assunto, o maior prejudicado é o clube Operário Ferroviário, que teve sua imagem arranhada, no ano em que fez uma campanha brilhante, em meio a uma enorme dificuldade financeira. “Se mal tínhamos dinheiro para a folha salarial e as despesas de manutenção do clube, como poderíamos ainda pagar propina a árbitros”, diz o presidente, repetindo os argumentos que usou em seu depoimento ao TJD, em defesa do Operário. “Agora vamos tratar de montar uma equipe competitiva para subirmos para a Primeira Divisão”, diz o dirigente, que na segunda-feira, às 16 horas, participa do novo arbitral da Divisão de Acesso, na sede da FPF.

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