Operário joga em Tibagi hoje

Operário faz primeiro amistoso do ano, visando o campeonato da Divisão de Acesso

- Neomil Macedo - Diário dos Campos

Exatos 133 dias após a fatídica derrota para o Galo Maringá (3 a 0), em 6 de novembro do ano passado, o Operário Ferroviário volta a campo hoje, em Tibagi, para um amistoso que dá início à preparação para sua terceira tentativa de voltar à primeira divisão, depois de uma lacuna de dez anos na sua história no futebol. O alvinegro de Vila Oficinas foi rebaixado para a Divisão Intermediária, em 1994, em razão das mesmas dificuldades financeiras que, até hoje, insistem em não deixar Vila Oficinas. Após, pediu licença dos campeonatos da Federação Paranaense de Futebol por um período de três anos, retornando, porém, somente em 2004, na segunda divisão, com a missão de honrar uma tradição quase que centenária (o clube completará 94 anos em 1º de maio próximo).
Para transformar o sonho em realidade, a diretoria alvinegra aposta na competência e no carisma do técnico Ricardo Pinto, que volta a Vila Oficinas, segundo ele próprio, para concluir o trabalho do ano passado, quando, até 15 minutos antes do apito final do árbitro Heber Roberto Lopes (o nome causa arrepios na torcida alvinegra), o Operário tinha a vaga de acesso à Série Ouro nas mãos. Depois de uma rápida passagem pelo Marcílio Dias, de Itajaí (SC), na primeira divisão do futebol catarinense, o ex-goleiro do Fluminense e Atlético Paranaense voltou a Ponta Grossa, com a condicional de que teria, este ano, tudo aquilo que acredita ter faltado na campanha de 2005, a exemplo de uma academia de musculação, transporte, material para treino, alimentação e alojamentos de qualidade e, principalmente, salários em dia.
“Não podemos ficar na dependência da bilheteria”, diz Ricardo Pinto, lembrando que no ano passado, o pagamento dos salários estava ligado ao resultado do borderô dos jogos no Estádio Germano Kruger. “As pessoas não imaginam as dificuldades pelas quais passamos”, dispara o treinador alvinegro, comentando que todos esses obstáculos foram superados à custa de muito sacrifício e renúncia do grupo que se manteve unido até o último jogo do campeonato. “Não pretendo passar por tudo aquilo de novo”, enfatiza Ricardo Pinto, que na sua primeira semana de trabalho, no seu retorno à cidade, constatou que nada mudou em Vila Oficinas. Ele mesmo faz a ressalva de que insiste nessas cobranças, não para o seu bem-estar, mas para que o clube cresça e retome o seu caminho de conquistas.
Na contramão das cobranças do treinador, o presidente Silvio Cosmoski quer que o discurso das dificuldades seja tratado como um assunto interno do clube. “Temos que mostrar o que estamos fazendo para superar esses problemas”, diz o dirigente, que aposta suas fichas nas campanhas que devem ser colocadas na rua nesta semana. Uma delas, a “Campanha do R$ 1” apela direto ao torcedor alvinegro. A iniciativa é da equipe de esportes da Rádio CBN, com a expectativa de arrecadar até R$ 50 mil. Outra é dirigida ao pessoal de maior poder aquisitivo. O presidente aguarda apenas a definição do uniforme que o time usará na temporada, para iniciar a venda do “kit torcedor”, a R$ 100. Ele espera comercializar mil kit’s. Por último, amanhã, o clube já inicia um trabalho de telemarkerting, para o contato com empresários e profissionais liberais da cidade e região, buscando doações e patrocínios para o clube.
Além dessas iniciativas, o presidente ainda se concentra na venda de espaços publicitários no Estádio e no uniforme do time, que deverá ser confeccionado por uma empresa local. “Vamos prestigiar uma empresa da cidade, para mostrar que o futebol gera renda e empregos”, diz Silvio Cosmoski, comentando sobre o número de pessoas que trabalham nos dias de jogos em Vila Oficinas, além do movimento gerado no comércio, hotéis e restaurantes, pelas equipes e torcedores dos adversários do alvinegro. E para completar vem a projeção do nome da cidade. Tanto que o prospecto do projeto “Rumo à Série Ouro”, lançado em janeiro e enviados a empresários do mercado futebolístico, traz capítulo especial, destacando as potencialidades do Município.

Avaliações marcam primeira semana

A primeira semana de preparação do Operário Ferroviário para a disputa da Divisão de Acesso teve como foco o amistoso de hoje às 16 horas, no Estádio Homero Talevi, contra o União Atlético Tibagi, dentro das comemorações alusivas aos 134 anos de emancipação política do município, localizado a 120 quilômetros de Ponta Grossa. Tanto que poucos dos jogadores que entraram em campo deverão vestir a camisa de titular a partir do próximo dia 7 de maio, quando o Fantasma estréia no campeonato, contra a equipe B do Paraná Clube, em Vila Oficinas. A maior parte dos jogadores contratados para temporada ainda está por chegar à cidade. Hoje, Ricardo Pinto trabalha com atletas em avaliação e juniores.
Nas avaliações feitas pela comissão técnica nos três coletivos realizados durante a semana, o técnico Ricardo Pinto detectou bons valores que terão condições de integrar o plantel ainda em formação. Entre eles, o treinador destaca o volante James, o meia-atacante Heber e os zagueiros Juarez e Amarildo, além dos garotos Mandagua, Elisson e Vitor Silva que vinham treinando com o time profissional desde o ano passado. Na nova geração, ele cita Thiago, Juliano, Castilho e Wilton, este último, hoje, veste a camisa titular no comando do ataque alvinegro. Já alguns nomes ainda deverão se melhor observados. Entre esses, o meia Valtencir, de quem o treinador cobra maior aplicação tática.
No gol, o Marcos, de 21 anos, que apesar de jovem tem passagem por várias equipes terá condições de mostrar suas qualidades e fazer sombra para o veterano Osmar, que volta a Vila Oficinas na condição de ídolo da torcida, mas ainda não tem o aval do treinador. “Já ouvi falar muito sobre o Osmar, mas infelizmente ainda não o vi jogar. Portando não posso falar se ele será ou não o titular”, diz o técnico Ricardo Pinto, falando da necessidade da equipe ter dois goleiros experientes e uma terceira opção que também inspire confiança no grupo.
Dos onze jogadores que iniciam o jogo hoje, o ala-direita Gustavo, 22 anos, é que apresentam mais condições de integrar o time titular do Operário na temporada. No ano passado, vestindo a camisa do Arapongas, ele infernizou a defensiva alvinegra e chamou a atenção do treinador Ricardo Pinto, que o levou para o Marcílio Dias, juntamente com uma penca de operarianos (alguns deles devem retornar a Vila Oficinas). Gustavo se encaixa perfeitamente no sistema tático idealizado pelo treinador para a temporada, com base no 3-5-2. “Vamos imprimir velocidade nas jogadas, com uma passagem constante dos alas para o campo de ataque”, revela Ricardo Pinto.
Assim, o Operário 2006 inicia o jogo hoje com Marcos; Vitor Silva, Juarez e Amarildo; Gustavo, Elisson, James, Valtencir e Mandagua; Heber e Wilton. No banco, o treinador terá à sua disposição Rafael (goleiro), Alex (zagueiro), Carlinhos (ala-esquerda), Juliano (meia), João Bahia (volante), Henrique (ala-direita) e Castilho (atacante). A saída para Tibagi está marcada para as 12h30.

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