Operário Ferroviário - 94 anos de glórias

Marcos Borkowski

Muitos ponta-grossenses nem se dão conta, mas foi aqui em 1909 que se deu o ponta-pé inicial para o futebol paranaense, a partir de aficionados pelo esporte da empresa Americam S. Brazilian Engineering Co., empresa encarregada da construção da linha férrea que ligaria o Paraná a São Paulo e ao Rio Grande do Sul. Os destaques da época foram Charles Wright e Flávio Carvalho Guimarães, atacante que mais tarde se tornaria um dos mais ilustres homens públicos paranaenses. Assim, Ponta Grossa entrou para a história como o berço do futebol araucariano, e aqui foi realizado o primeiro jogo de futebol, motivo de orgulho para os ponta-grossenses, com o resultado de 1 X 0 frente ao curitibanos, gol de Flávio Carvalho Guimarães.

Em 1º de maio de 1912 é fundado o Foot Ball Club Operário Ponta-grossense, tendo como seu primeiro Presidente Raul Lara.Ao longo de sua história conquistou 14 vice-campeonatos, sendo eles: 1923/24/25/26, 1929/30, 1932, 1934, 1936/37/38, 1940, 1958 e 1961. Este último considerado como sendo o Operário campeão moral, uma vez que o time vinha embalado no campeonato e devido a uma disputa contra o Curitiba que levou 8 (oito) meses nos tribunais, desarticulando o time que perdeu a decisão para o time do Comercial de Cornélio Procópio pelo placar de 2 X 1. Ídolo da época: Ribamar

Anos de glória, 1979 a 1981, onde o Fantasma de Vila Oficinas disputou a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, Série Prata. Ídolos inesquecíveis: Pompéia, Osni, Chicão, Gracindo, Drailton, Paulo Borges, Milton do Ó, Índio, Vilmar, Sapuca, André, Wilson Zanon, Ladel, Werner e Adilson, homens que honraram a camisa alvinegra.

A partir de então, devido a uma sucessão de maus governantes do Município, a cidade não progrediu como poderia e isto refletiu-se não somente no futebol profissional, mas também no Basquete onde era destaque nacional, “a terra do basquete”, como era chamada,  perdemos também o Voley e o nosso valoroso futebol de salão. Estes foram para cidades como Londrina, Maringá e Cascavel. O Operário começa caindo para a segunda divisão e logo aparece com uma divida junto ao INSS se vendo obrigado a abandonar os gramados.

Mas o Fantasma de Vila Oficinas está coberto de glória e graças a esforços do atual Presidente Silvio Cosmoski voltou aos gramados em 2004 para alegria de toda a nação operariana. Em 2005 chega as semi-finais do campeonato da segunda divisão com um time de homens valorosos que aqui estiveram e vestiram de fato a camisa alvinegra, motivo de orgulho para todos os torcedores que a cada jogo gritavam os nomes dos jogadores, um por um e do técnico Ricardo Pinto. E agora em 2006 promete nova luta nos gramados com um time que já começou mostrando para o que veio, vencendo o Campeão Paranaense pelo placar de 3 X 2, carimbando a faixa do Campeão.

Com a luta incansável do Presidente Silvio Cosmoski e com o apoio dos seus fanáticos e maravilhosos torcedores, o Operário poderá sim chegar a ser campeão, alcançando a tão sonhada ascensão à primeira divisão, e respondendo a todos aqueles que insistem em não contribuir que o Operário Ferroviário Esporte Clube é coberto de glória, e que ao longo desses 94 anos faz jus aos nossos aplausos, pois ele muito nos honra, divulga e engrandece o nome da nossa amada cidade de Ponta Grossa.

Parabéns Fantasma de Vila Oficinas pelos seus 94 anos e muito obrigado por todas as alegrias que me proporcionou.

Uma Cornetagem para “Operário Ferroviário - 94 anos de glórias”

  1. 1961 - O “Caso Agapito”

    Em 1961, Operário e Coritiba chegaram à final do campeonato empatados em número de pontos. Foram então disputados 4 (quatro) jogos entre eles, para dicidir-se o campeão da Zona Sul.

    No primeiro jogo em Curitiba, o Operário venceu pelo placar de 2 x 0. Em Ponta Grossa o jogo terminou empatado em 1 X 1. No jogo de volta em Curitiba, o Coxa venceu pelo placar de 3 X 0. No quarto jogo, o Operário vencia pelo placar de 1 X 0 até os 45 minutos da etapa final, quando o Coritiba conseguiu o empate. Houve então uma prorrogação de 30 minutos, terminando empatado e o Coritiba tendo sido proclamado campeão por saldo de gols.

    Porém, o Operário entrou com um recurso junto à Federação Paranaense porque o jogador Agapito Sanchez do Coritiba estava irregularmente inscrito na competição. Iniciou-se então o Caso Agapito, decidido somente após 8 (oito) meses pelo Supremo Tribunal de Justiça Desportiva no Rio de Janeiro, dando o título ao Operário, por unanimidade. Então sua torcida comemorou pelas ruas da cidade, culminando a festa na Avenida Vicente Machado, onde um verdadeiro Carnaval foi realizado. Foguetes espocavam madrugada adentro por toda a cidade e a torcida comemorava junto aos campeões da Zona Sul: Arlindo, Ribamar, Daniel, Roberto, Laércio, Hélio, Silvestre, Jairo, Fiuza, Leocádio, Otavinho, Madalozzo, Candinho, Uliana, Hélio Dias, Zanetti e Zeca.

    Na decisão entre as zonas Sul, Centro-Oeste e Norte, os resultados foram:

    Em Jacarezinho, o Operário empatou em dois gols. No jogo em Ponta Grossa o Operário goleou pelo placar de 8 X 1. Contra o Comercial de Cornélio Procópio em Vila Oficinas o Operário venceu pelo placar de 3 X 0. No jogo em Cornélio Procópio o comercial venceu pelo placar de 2 X 1. Como o Comercial vencera os dois jogos contra o Jacarezinho, somou um ponto mais e sagrou-se Campeão Paranaense de 1961. O Operário até hoje comemora o título de campeão moral deste ano pela árdua luta de 8 (oito) meses nos tribunais que só fez interromper a brilhante campanha que vinha realizando até então.

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