Operário tem futuro de incertezas
O Fantasma de Vila Oficinas completa 94 anos, em jogo contra o Foz do Iguaçu, no Germano Kruger, às 15h30
- Neomil Macedo - Diário dos Campos
O otimismo do presidente Silvio Cosmoski Júnior não é suficiente para mudar a realidade do Operário Ferroviário Esporte Clube. O clube comemora neste 1º de maio 94 anos de muita tradição e poucas glórias, em meio a crônicas dificuldades estruturais e financeiras que fazem do seu futuro uma incerteza. A pergunta que se faz hoje em Vila Oficinas é se o clube terá condições de se manter até o fim do campeonato da Divisão de Acesso, que tinha início previsto para o próximo dia 7 e, na noite de sexta-feira, foi surpreendentemente adiado para o dia 14 de maio. Para uma diretoria que contava com a renda do jogo de estréia (contra a equipe B do Paraná Clube), para saldar a segunda folha salarial da temporada, não poderia haver notícia pior.
Apesar da má notícia, tentando manter-se otimista, o presidente Silvio Cosmoski diz que o clube tem muito a comemorar neste primeiro de maio, a começar pela sua terceira temporada após o retorno ao futebol profissional, após 10 anos de inatividade (1994 a 2004). “Estamos pagando pelos erros do passado e herdamos uma imagem bastante desgastada junto à comunidade ponta-grossense”, diz o dirigente, destacando o esforço desenvolvido nos últimos anos para implantar um novo conceito de administração no clube. “A diretoria vem fazendo tudo da forma mais transparente possível, para mostrar que temos um único objetivo, que é fazer do Operário não apenas um time, mas um clube forte e estruturado que faça jus ao seu passado e à fama do ‘fantasma’ que assustava as equipes da Capital”.
Na sua forma simples de analisar os fatos, o presidente operariano acredita que vai chegar a hora em que as pessoas (aí se referindo à classe empresarial) vão enxergar o potencial existente em Vila Oficinas, para a projeção do nome e da imagem da cidade. Cosmoski cita o caso do time do Ipatinga, que está nas quartas de final da Copa do Brasil. “Essa equipe representa uma cidade de Minas Gerais desconhecida de muitas pessoas, mas que vem ocupando grande espaço na mídia”, comenta o presidente, lembrando que no ano passado Ipatinga já havia conquistado o título de campeão estadual. “Esse ano tivemos o caso da Adap, que chegou à decisão do título do Campeonato Paranaense, e igualmente projetou o nome de Campo Mourão”.
Para o presidente do Operário, o clube está fazendo algo errado, referindo-se à maneira de abordar potenciais parceiros. “Acho que temos que mudar a forma de trabalhar os projetos e promoções que fazemos”, diz Cosmoski, revelando que já fez contatos com uma empresa de marketing esportivo, para a estudar e dar ao clube um diagnóstico sobre o caso. Enquanto isso não acontece, por razões óbvias de falta de recursos, o próprio presidente faz sua avaliação. “Temos que fazer as coisas de maneira mais planejada e objetiva”, diz, lamentando o pequeno número de colaboradores dispostos a arregaçar as mangas que tem ao seu lado. “Poucas pessoas se doam ao clube, sem almejar algo em troca”, diz.
“O Operário tem sim o que comemorar neste dia 1º de maio”, enfatiza o presidente, referindo-se à sua grande e fanática torcida, para ele o maior patrimônio do clube. E é nesse ‘patrimônio’ que ele deposita suas esperanças de dias melhores. “É importante que a torcida nos ajude ‘a darmos essa largada”, diz o dirigente, chamando a massa alvinegra para o amistoso de hoje, às 15h30, em Vila Oficinas. “Se não conseguirmos um público de pelo menos três mil pessoas, as coisas vão ficar mais difíceis, pelo menos por enquanto”, afirma o presidente, revelando que está negociando um patrocínio forte para essa temporada. “Não posso revelar nomes, mas em breve poderemos dar uma boa notícia e um presente para nossa torcida”.
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