Operário deixa escapar vitória contra o Paraná
Com dois homens a mais em campo, Operário cede empate em 3 a 3
- Neomil Macedo - Diário dos Campos
Mais uma vez o Operário deixou escapar a vitória por entre os dedos. Com dois jogadores a mais, ontem, no Estádio Erton Coelho de Queiroz, em Curitiba, o Fantasma não teve competência para segurar o placar que lhe era favorável e amargou um empate em 3 a 3 com o Paraná B, em jogo adiado da primeira rodada do returno da primeira fase da Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense. Ao final da partida, o técnico Ricardo Pinto desabafou e reclamou da “falta de personalidade” do elenco alvinegro, que não teve capacidade, competência e tranqüilidade para finalizar a gol. “O problema não é levar gol, mas não ter a frieza para marcar”.
Com o empate, o Operário colocou por terra o plano de abrir seis pontos do time do São José, de São José dos Pinhais, e caminhar tranqüilo para a classificação à segunda fase da Divisão de Acesso, nas três últimas rodadas da primeira fase. No próximo domingo, o Fantasma enfrenta a Adapar, em Almirante Tamandaré; depois, vai a Curitiba, para o confronto com o Real Brasil; e fecha sua participação na fase, em casa, diante do Iguaçu. O alvinegro segue na terceira posição com 10 pontos; atrás do Iguaçu e Paraná B, com 12 pontos. O São José é o quarto colocado, com 6; seguido do Real Brasil, 5; e Adapar, 4.
A exemplo do que ocorrera no último domingo, contra ao São José (0 a 0), em Vila Oficinas, no jogo de ontem, o Operário sentiu a falta de um homem de área, para dar o toque final em direção ao gol. A dupla de ataque alvinegra, formada por Serginho e João Paulo, tem velocidade e movimentação, porém atua longe do gol, saindo constantemente da área para buscar a tabela com os meias e os laterais.
O problema já foi detectado pela diretoria alvinegra que se movimenta para trazer um atacante que jogue entre os zagueiros, mas acaba esbarrando sempre no aspecto financeiro. O “grandalhão” Toti ainda se recupera da cirurgia que fez no joelho e está nos planos do clube, somente, para a segunda fase do campeonato. Porém, com a classificação se complicando a cada rodada, Toti, que foi contratado para ser a referência do time na área e a grande esperança de gols da diretoria e, principalmente, da torcida, pode não ter a oportunidade de vestir a camisa alvinegra no campeonato.
Somado a todas as dificuldades do cotidiano de Vila Oficinas, que geram intranqüilidade no elenco, rodada a rodada, o técnico Ricardo Pinto se vê às voltas com problemas de contusão e suspensões. Tanto que, nas sete partidas que fez no campeonato até agora, o Operário teve sete formações diferentes. Ontem, o time não teve o zagueiro Acássio, que deverá ficar afastado por um mês por conta de uma contusão na perna.
Para o próximo jogo, diante da Adapar, em Almirante Tamandaré, o time não terá o volante André e o lateral Anderson, ambos com três amarelos. André, por sinal, já esteve fora do time por conta de um princípio de pneumonia e depois devido à expulsão no jogo contra o Real Brasil (a primeira de sua carreira)
Treinador aponta instabilidade do time
“Toda hora temos que estar motivando o grupo”, diz o técnico Ricardo Pinto, referindo-se ao estresse causado pelos atrasos nos salários em Vila Oficinas e as promessas de que mais para frente as coisas podem melhorar. Porém, os dias vão passando e, na verdade, a situação só piora. Quando o jogo com o Paraná foi transferido do dia 18 para ontem, por exemplo, o Operário teve um período de 15 dias para se ajustar e se preparar para o jogo contra o São José, no último domingo. Porém, o tempo foi perdido, com “dispensa” do elenco, que ameaçava uma debandada do clube, caso os salários de abril e maio não fossem pagos.
A situação foi contornada, temporariamente, com um empréstimo que saldou os salários de abril e a expectativa de um público numeroso no jogo do último domingo, o que possibilitaria o pagamento também da folha salarial de maio. Como os planos da diretoria alvinegra naufragaram, na segunda-feira houve nova “rebelião” em Vila Oficinas, com os jogadores se recusando a fazer o trabalho de relaxamento muscular, então agendado para a piscina do Colégio Santana. Situação novamente ‘driblada’, o time voltou a treinar na terça-feira, para o jogo de ontem.
Para o técnico Ricardo Pinto, além da quebra do ritmo de trabalho, que é evidente, essas situações acabam gerando uma instabilidade no plantel, o que se reflete dentro de campo. A falta de personalidade do time já havia sido detectada pelo treinador alvinegro na fase preparação para o campeonato. Na época, em várias oportunidades, Ricardo Pinto afirmava categoricamente que o elenco desse ano era superior ao time que no ano passado chegou à semifinais da Série Prata. Porém, também declarava que, apesar de esforçado e aplicado, o time não demonstrava confiança para se impor em campo, o que deveria acontecer no decorrer do campeonato.
Fantasma manda, mas não marca
Paraná B e Operário fizeram um jogo aberto e muito movimentado no Estádio Érton Coelho de Queiroz. A duas equipes se revezaram no ataque e no placar. O Paraná B, cuja base é formada por juniores, entrou em campo reforçado com cinco jogadores do elenco profissional e teve na assistência, além do técnico Ary Marques, o treinador Caio Júnior, do elenco principal, que disputa a Série A do Brasileirão.
A primeira jogada de ataque ocorreu logo aos 2 minutos, quando Marquinhos cabeceou sozinho e obrigou o goleiro Rudi a fazer a primeira defesa da partida. Logo em seguida, o Operário levaria perigo ao gol de Gabriel, em chute de esquerda de Serginho. Na continuidade, o Operário tomou conta das ações da partida, congestionando o meio-de-campo, sem explorar as laterais. Num campo em condições tão ruins como o de Vila Oficinas, faltava ao alvinegro apenas acertar o passe que colocaria seus avantes na cara do gol.
Além de não conseguir converter as oportunidades criadas, o Operário deixava espaços na sua defesa, principalmente no costado do lateral Anderson, pela esquerda. Aos 17 minutos, Edson Rosa levou cartão amarelo e logo depois, sentido uma indisposição que já o incomodava antes da partida, pede para sair. Mandagua entra na lateral-esquerda, deslocando Anderson para a meia. Xaves e Peter, do Paraná, também receberam amarelo.
Aos 43 minutos, o Paraná abriu a contagem. A bola ficou ‘pipocando’ na área alvinegra e Goiano mandou para as redes de Rudi. No minuto seguinte, o Operário deu a saída de campo e Gustavo levantou para Dias que tocou para o gol, empatando o jogo.
Alvinegro não consegue tirar proveito de expulsões
O segundo tempo, no Boqueirão, começou tão eletrizante como o término da primeira etapa. Em dois minutos, a partida continuava empatada porém, em 2 a 2. Logo a um minuto, Marquinhos se aproveitou de falha da defensiva alvinegra, pela esquerda, e bateu alto na saída de Rudi. Novamente, o Operário deu a saída de bola e Marcelo Foto lançou Serginho na cara do goleiro Gabriel. Ele teve apenas o trabalho de deslocar o goleiro.
O que se viu depois foi o revezamento das duas equipes na jogadas de ataque, nas falha defensivas e nos cartões. Mandagua e Anderson ganharam o amarelo. Xaves, do Paraná, recebeu o cartão vermelho. Com um homem a mais em campo, o Operário mandava no jogo. Valtencir entrou no lugar de Carlos Alberto Dias, esgotado fisicamente. Aos 26 minutos, Mandagua fez ótima jogada pela esquerda e lançou João Paulo que, na saída de Gabriel, colocou o alvinegro na frente. No lance seguinte, quase o Operário amplia.
Depois, Marcelo Foto também recebeu o seu cartão amarelo. Da Silva, fez falta em Anderson e levou o vermelho direto. Com dois jogadores a mais, o Operário tinha tudo para marcar mais gols e ficar em excelente situação na classificação. Porém, como nada parece dar certo para o Operário, aos 36 minutos, Leo, que entrara no lugar do inoperante Jeferson, acabou empatando a partida, para desespero do elenco alvinegro, que depois, mesmo em vantagem numérica, não teve capacidade para buscar a vitória.
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