Com astral em alta, o alvinegro espera contar com a força de sua torcida para quebrar a invencibilidade do Cambé
- Neomil Macedo – Diário dos Campos
Com dificuldades e desfalques, mas muito motivado. Mais uma vez, é com o espírito da superação que o Operário Ferroviário entra em campo hoje, às 15h30, no Estádio Germano Kruger, para enfrentar o Clube Atlético Cambé (CAC), o “bicho papão” da primeira fase da Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense. A partida vale pela primeira rodada da segunda fase da competição, que tem oito equipes divididas em dois grupos, classificando para o quadrangular final os dois melhores de cada chave. Operário e Cambé estão no grupo E, juntamente com Iguaçu, de União da Vitória, e Engenheiro Beltrão. No grupo D, estão Paraná B, Cascavel, Londrina B e Portuguesa Londrinense.
Dentro de campo, Operário e Cambé tiveram campanhas bastante distintas na primeira fase da competição. O alvinegro de Vila Oficinas se classificou na terceira posição do grupo A, com aproveitamento de 53,3%. De 30 pontos possíveis, a equipe somou 16 (quatro vitórias, quatro empates e duas derrotas), com 14 gols-pró e 12 contra (saldo 2). João Paulo, com quatro gols, e o veterano Carlos Alberto Dias, com três, são os artilheiros da equipe, que hoje estréia o seu quinto “camisa 9, na temporada. Dinei, ex-Toledo, que estava atuando na Chapecoense, em Santa Catarina, chegou na quarta-feira e já está escalado para formar a dupla de ataque ao lado de João Paulo. Antes de Dinei, a equipe teve Toti (que não chegou a estrear), Heber, Serginho (2 gols) e Anderson Catatau (1 gol).
Já o Cambé apresenta um aproveitamento de 80% (24 em 30 possíveis), com um ataque que marcou 18 gols e a defesa menos vazada do campeonato, com apenas seis gols sofridos, o que lhe dá o melhor saldo da competição (12 gols). Dos 18 gols marcados pelo time do Norte do Paraná, 11 foram marcados pela dupla de atacantes Macedo (7) e Esio (4), que estará em campo hoje. O experiente Natanael dos Santos Macedo, de 37 anos, bicampeão mundial interclubes pelo São Paulo de Telê Santana e passagem pelo Cruzeiro, Vasco, Coritiba, Grêmio e Ponte Preta, entre outros clubes, é uma das atrações da partida de hoje em Vila Oficinas.
Mas as diferenças não para por aí. As duas equipes, a exemplo da maioria dos clubes do Brasil, e ainda mais numa segunda divisão, vive dificuldades financeiras. O diferencial está na forma de administrar essas dificuldades e as crises por elas provocadas. No Operário, que já teve pelo menos três inícios de greve e ameaças de debandada geral, a diretoria e a comissão técnica tentam conciliar esforços, cientes de que só a continuidade do trabalho dentro de campo vai salvar o clube da beira do abismo. Isso ficou patente, quando o técnico Ricardo Pinto veio a público e revelou os problemas do time, com alimentação inadequada para um atleta. O caso foi contornado e a diretoria prometeu empenho para melhorar o cardápio do refeitório.
No Cambé, as declarações do técnico Roberto Palmieri (também ex-goleiro), falando dos problemas financeiros e a falta de estrutura do clube. Os cerca de 30 jogadores do elenco chegaram a ser despejados do hotel em que estavam hospedados, enquanto os treinos eram cancelado por falta de uniforme, retido na lavanderia por falta de pagamento. O depoimento caiu como uma bomba e culminou com a demissão de Palmieri e a queda do presidente Luís Fernando Nogueira. Isso na semana de estréia do time na segunda fase da competição. Marcelo Caldarelli, ex-presidente do Londrina, assumiu a presidência do clube, pagou algumas dívidas e trouxe o treinador Roberto Fonseca, também ‘ex’ do Tubarão.
Dinei e Leomar são as novidades
“Hoje começa um novo campeonato. Independente do que fizeram na fase anterior, as equipes iniciam esta fase do zero”, comenta o técnico Ricardo Pinto, lembrando o ano passado, quando o Fantasma teve a melhor campanha da primeira fase da Série Prata e, sem ter vantagem alguma, acabou sendo superado na classificação da segunda fase pelo Toledo, que se classificou com dificuldades e montou um novo time para a seqüência do campeonato. Este é um dos argumentos do treinador alvinegro para elevar o moral do seu elenco. “O Cambé tem a melhor campanha. Mas, isso não é razão para já entrarmos em campo derrotados”, afirma Ricardo Pinto, que durante a semana, além dos treinos físicos, técnicos e táticos, fez um trabalho motivacional com o grupo.
De perfil agregador, o técnico alvinegro acredita na qualidade do elenco alvinegro, destacada por ele desde a fase de preparação para o campeonato. No entanto, ele próprio admite que o time ainda não conseguiu desenvolver todo o seu potencial máximo. Para Ricardo Pinto, ainda falta à equipe personalidade para se impor em campo e definir o jogo, que esteve em suas mãos em diversas oportunidade na primeira fase do campeonato. O pecado maior do time, são as finalizações. Dinei que chegou a Vila Oficinas na última semana parece ser a solução para o problema.
Para a falta de confiança, além do trabalho de motivação, o clube trouxe de volta o meia Leomar (ex-Atlético Paranaense e Sport Recife, convocado para a seleção em 2001), que no ano passado foi um dos líderes do time na Série Prata. No entanto, o “remédio” será testado apenas na próxima quarta-feira, contra o Engenheiro Beltrão, novamente em Vila Oficinas. Leomar deveria se apresentar em Vila Oficinas na sexta-feira. No entanto, problemas particulares o prenderam em Curitiba. Mesmo assim, ele assinou contrato e teve sua situação regularizada junto à Federação Paranaense de Futebol. A sua escalação na partida é uma incógnita.
Cambé vem com três zagueiros
O time do Cambé foi definido pelo técnico Roberto Fonseca na sexta-feira com Colombo, Thiago Soler, Diogenes e Hernandes; Augusto, Abimael, Alex Marcelino, Neto e Welington; Esio e Macedo. O técnico do alvinegro do Norte comandou apenas dois treinos na semana e definiu o time com o sistema 3-5-2, utilizado pelo Operário no início do campeonato. A idéia e manter o ritmo de trabalho do antigo treinador, que deixou o time com uma campanha invicta. O meia Tita é o único desfalque do time.
A partida terá o apito de Jarbe Cassou, com assistência de Rafael Rutestki e Fábio Filipus.
Fantasma terá 11ª escalação diferente
O Operário inicia a segunda fase da Divisão de Acesso, exatamente, como terminou a primeira, com desfalques e novas contratações. Na fase anterior, em dez jogos, o time apresentou dez escalações diferentes. Para hoje, os desfalques ficam por conta do meia Carlos Alberto Dias e do zagueiro/volante Baiano, ambos suspensos pelo terceiro cartão amarelo, além do meia André Careca, que, liberado pelo departamento médico, treinou na quarta-feira, mas voltou a sentir dores na coxa.
Com esses desfalques, compensados pelas chegadas de Leomar e Dinei, o técnico Ricardo Pinto faz mistério sobre a escalação do alvinegro. O aproveitamento de Leomar (improvável até sexta-feira) é uma das possibilidade do treinador para armar o meio campo. Ontem, Leomar participou dos ensaios de bola de parada e admitiu jogar pelo menos 30 minutos, se o técnico precisar. Parado há cerca de um mês, ele diz que está bem fisicamente, mas sem ritmo de jogo. “Se precisar, estou disposto a jogar”, afirma Leomar, ao declarar que volto para Ponta Grossa para levar o Operário à primeira divisão.
Se Leomar não for aproveitado, as opções para fazer dupla com Edson Rosa na armação recaem sobre Thiago, Valtencir ou Mandagua. Todos estão treinaram entre os titulares durante a semana e estão relacionados para a partida. Edson Rosa volta ao time depois de quase um mês parado, recuperando-se de uma lesão no Joelho. Bahia também retorna para fazer dupla com o volante Marcelo Foto. A zaga terá os titulares Gustavo, Juliano, Hernandes e Anderson. O gol terá Rudi que na última rodada da primeira fase cedeu lugar a Osmar. O estreante Dinei e João Paulo formam a dupla de ataque.
Outros jogos
Engenheiro vem reforçado
Iguaçu e Engenheiro Beltrão tentam mostrar a partir de hoje que passar à segunda fase não é o suficiente para os dois times na Divisão de Acesso. A partida inicia as 15h30, no estádio Antiocho Pereira, em União da Vitória. O Iguaçu tem como destaques o atacante Jacozinho (ex-Londrina), o meia Zara (ex-União Bandeirante), e o lateral-esquerdo Naia (ex-Paranavaí). Seu treinador é Orlando Bianchini (também ex-União).
O Engenheiro não joga há um mês e uma semana, quando o grupo C da primeira fase, que tinha apenas três equipes, foi encerrado. De lá para cá, o técnico Itamar Belasalmas (ex-Roma Apucarana) recebeu como reforços o meia Marquinhos Guarapuava (ex-Coritiba e Londrina) e o volante Emanoel, que se recuperou de uma lesão.
Lusinha pega o Paraná-B
Portuguesa Londrinense e Paraná-B abrem hoje, às 10h30, no estádio do Café, em Londrina, a segunda fase da Divisão de Acesso. Os dois times estão no grupo D, que ainda tem Cascavel e Londrina-B. Na primeira fase, o tricolor da capital foi o primeiro colocado do grupo A (20 pontos) e a Lusinha, após um início ruim, recuperou-se com a vinda do treinador Dirceu Mattos e alcançou o segundo lugar da chave B (19 pontos).
A Lusa estréia o atacante Roni, ex-ASA, de Arapiraca-AL. O jogador, porém, deve ficar na reserva porque Paraguaio e Ferrari, que vieram do Uniclinic-CE, têm mostrado eficiência (Paraguaio já atuou pelo Londrina).
No Paraná-B, o técnico Ary Marques continua mesclando juniores com profissionais não aproveitados, por ora, no elenco principal, como o zagueiro João Vítor, os meias Elton e Xaves e o atacante Vandinho.
Londrina estréia contra Cascavel
O Londrina-B recebe hoje, no VGD, às 15h30, um time que não disputa um jogo oficial há um mês e uma semana: o Cascavel. A partida é válida pela primeira rodada da segunda fase da Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense. O visitante está há tempo de “folga” por um simples motivo: na primeira fase, integrou o grupo C que tinha apenas três equipes e que, por isso, foi encerrado antes do término das chaves A e B.
O Londrina-B, que utiliza o torneio como “laboratório” de jogadores para o time principal, não tem baixas e o técnico Pinheiro ainda conta com as voltas do lateral-direito Ênio e do volante Alemão, que cumpriram suspensão.
O Cascavel, treinado por Nei Almeida, não dispõe mais do volante Kullman, que pediu dispensa. O time aposta no atacante Vagner e no ala-direita Marcos Teixeira (campeão da Copa Libertadores da América, em 1997, pelo Cruzeiro).