Vaga antecipada apenas “garante” o prolongamento da crise em Vila Oficinas por mais um período
Neomil Macedo – Diário dos Campos
A classificação antecipada para a segunda fase da Divisão de Acesso, mesmo com a derrota no último sábado para o Real Brasil (2 a 1), não é motivo para comemorações em Vila Oficinas. O desabafo feito pelo técnico Ricardo Pinto, às emissoras de rádio da cidade, após o final do jogo no Estádio Monte Bérico, em Curitiba, expôs a situação de penúria e falta de perspectivas do clube que luta para retornar à primeira divisão do futebol paranaense. Na reapresentação marcada para hoje, os jogadores podem novamente se recusar a treinar (seria a quarta ‘greve’ na temporada), caso a diretoria não pague ao menos parte dos salários em atraso (maio e junho).
Para o técnico Ricardo Pinto não há vislumbre algum de que as coisas possam melhorar em Vila Oficinas, apesar de todos os esforços do presidente Sílvio Cosmoski e do supervisor Wilson Janiacki. “Não adianta, vai chegar a terça-feira e o clube não terá dinheiro para a pagar os salários”, disse o treinador, fazendo a ressalva de que isso não justifica a apatia do time na segunda fase do jogo contra o Real Brasil. O Operário encerrou o primeiro tempo com 1 a 0 (gol de Catatau) e poderia ter até ampliado a contagem tal o volume de jogo que impôs. Na segunda etapa, o time simplesmente não jogou e permitiu a virada (Iberê e Emerson fizeram para o Real).
No seu desabafo, o técnico alvinegro narrou fatos que revelam uma situação em Vila Oficinas que vai muito além do atraso nos salários. “Estamos trabalhando com atletas, que não podem comer, diariamente, pão com margarina no café da manhã, costela no almoço e salsicha na janta”, disse Ricardo Pinto, observando que isso é suficiente para alimentar muitas pessoas (e ele se inclui entre essas pessoas), mas, certamente, não pode ser a dieta de um atleta, que faz do seu corpo a sua ferramenta de trabalho.
Além do refeitório, o treinador lamenta a falta de um atendimento médico mais efetivo aos atletas, que geralmente são levados ao pronto-atendimento do Município. O caso do atacante Toti é emblemático. Lesionado na partida amistosa contra o Iguaçu, no dia 30 de abril, o atleta teve a necessidade de uma cirurgia no joelho diagnosticada, praticamente, um mês depois. Feita a cirurgia, em Curitiba, no dia 1º de junho, ele, deveria voltar a jogar, no máximo, em 15 dias. Passado, um mês, Toti ainda não está pronto para atuar.
Para piorar o quadro, com o atraso nos salários começa a “deserção” de jogadores em Vila Oficinas. Os zagueiros Acássio e Alex rescindiram contrato com o clube, deixando o técnico Ricardo Pinto sem opções para zaga. Hernandes, contratado na última semana, ainda está aquém de sua melhor forma. No último sábado, após o jogo contra o Real, foi a vez do atacante Serginho pedir a conta. Se a situação não for contornada essa semana, mais atletas prometem deixar a cidade.
Clube espera fechar parceria
PONTA GROSSA – Enquanto os problemas se agravam em Vila Oficinas, a diretoria alimenta esperanças de fechar uma parceria com um grupo da Capital (os nomes ainda são desconhecidos). “A qualquer momento o telefone pode tocar e estamos prontos para voltar a Curitiba”, disse ontem o supervisor Wilson Janiacki, revelando que esse “negócio” poderá amenizar a situação.
Sobre a perspectiva de uma nova “greve” a partir de hoje em Vila Oficinas, o supervisor alvinegro diz que haverá uma reunião hoje de manhã, para colocar os jogadores e a comissão técnica ao par da situação. Janiacki nega que houvesse a promessa de pagamento de salários na reapresentação do elenco. “Há perspectivas”, disse.
Quanto às declarações do técnico Ricardo Pinto, principalmente sobre as carências do refeitório do clube, Wilson Janiacki afirma que a diretoria deverá conversar com o treinador e, na medida do possível, procurar melhorar o cardápio. Em termos de reposição de peças, ele comenta apenas sobre as negociações com o meia Dinei, que exigiu um adiantamento para vestir a camisa alvinegra.











