Empate com o Cambé deixou o Operário em situação delicada. Próximo jogo será de fato de “vida ou morte”
Neomil Macedo – Diário dos Campos
Dois jogos e duas vitórias. Essa é a condição para o Operário Ferroviário se classificar para o quadrangular final da Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense, sem depender de outros resultados. Com uma combinação de resultados, o alvinegro de Vila Oficinas ainda poderá encerrar a fase em primeiro lugar. Num quadro mais improvável, até um empate e uma vitória, nas duas próximas rodadas, podem colocar o Fantasma na fase seguinte do campeonato. Com o empate em ‘0 a 0’ diante do Cambé, no último domingo, o Operário segue na quarta colocação do grupo E, com apenas 3 pontos. O Engenheiro Beltrão que venceu o Iguaçu, por 2 a 1, lidera a chave, com 7 pontos. Iguaçu e Cambé somam 5 pontos.
O complicador nos cálculos da comissão técnica alvinegra chama-se Engenheiro Beltrão, o adversário de amanhã do Operário, às 15 horas, no Estádio João C. Menezes, em Engenheiro Beltrão. Com uma vitória, o Engenheiro, que já venceu as duas partidas que fez em casa, poderá se garantir na próxima fase. Isso, sem dúvida, dificultará ainda mais a missão do Fantasma, que neste campeonato venceu apenas uma partida fora de casa, contra a fraca equipe da Adapar (1 a 2), ainda na primeira fase. Na segunda fase, o time ainda não venceu. O alvinegro acumula uma derrota para o Cambé (1 a 0) e depois três empates, contra Engenheiro Beltrão (2 a 2), Iguaçu (1 a 1) e Cambé (0 a 0).
Para tornar a situação ainda mais dramática, amanhã, o Operário não terá os seus dois jogadores mais regulares no campeonato. O volante Marcelo Foto e o zagueiro Juliano receberam o terceiro cartão amarelo diante do Cambé e cumprem automática amanhã. Com poucas opções no elenco, o técnico Ricardo Pinto já tem definidos os substitutos da dupla. A vaga de Marcelo Foto será ocupada por Bahia, enquanto Hernandes entra no posto de Juliano.
Nas demais posições, o time deve ser mesmo que empatou com o Cambé domingo, incluindo do atacante Toti, que sem o condicionamento físico ideal permaneceu em campo os 90 minutos de jogo. Dinei, que deixou o campo para a entrada de Wilton, se apresentou ontem normalmente e não preocupa o departamento médico. Baiano que sentiu fortes cãibras na segunda etapa do jogo e foi substituído por Hernandes, também já está liberado. A condição de Carlos Alberto Dias, substituído por Thiago, ainda será avaliada, mas em princípio, o experiente meia também deve atuar em Engenheiro Beltrão. O meia André continua em tratamento e dificilmente terá condições para o jogo de amanhã.
Mas ainda há mais um obstáculo a ser transposto pelo Operário. A diretoria alvinegra corre atrás de apoio (dinheiro) para possibilitar a viagem da equipe para Engenheiro Beltrão hoje à tarde, para pernoitar na região de Engenheiro de Beltrão. Se deixar para viajar amanhã de amanhã, a equipe certamente entrará em campo, à tarde, sem condições de suportar o 90 minutos de jogo. No último domingo, o alvinegro enfrentou seis horas de ônibus até Cambé (incluindo a parada para almoço). O resultado foi um time travado em campo, na primeira etapa de jogo. No segundo tempo, pelos 10 jogadores tiveram problemas de cãibras.
Caso consiga recursos, o Operário viaja para Engenheiro Beltrão hoje, às 14 horas. Se não, o time parte na quarta-feira, às 7 horas.
AS CHANCES DO OPERÁRIO
1 Vence as duas partidas
Neste caso, o Fantasma vai a 9 pontos e se classifica independente dos demais resultados. Os time pode terminar a fase como líder da chave, caso ocorram empates nos demais jogos do grupo.
2 Empata com o Engenheiro e vence o Iguaçu
O time se classifica com 7 pontos, desde que Iguaçu e Cambé empatem e, na última, rodada o Engenheiro Beltrão vença o Cambé.
3 Vence o Engenheiro e empata com o Iguaçu
Operário dependerá de empates nos outros jogos da chave. Nesse caso, haveria um tríplice empate (todos com 7 pontos), com a segunda posição sendo decidida nos critérios de desempate.
4 Derrota para o Engenheiro
O time apenas faz número na última rodada diante do Iguaçu.
Equipe dominou, mas não marcou
Operário Ferroviário deixou o Estádio José Garbelini, em Cambé, no último domingo, com o sentimento de que poderia ter melhor sorte no jogo, não fossem os erros de arbitragem. Em uma de suas melhores apresentações no campeonato, o Fantasma, praticamente, não deixou o time da casa jogar. O goleiro Osmar foi pouco exigido na partida. Quando acionado, mostrou a segurança de sempre. Do outro lado, o goleiro Colombo trabalhou bastante e impediu a derrota do Cambé.
No primeiro tempo, o Cambé chegou a dominar a partida, exercendo uma marcação no campo do Operário, o que dificultava a saída de bola do alvinegro. Com uma marcação eficiente de Leomar, Marcelo Foto e Juliano sobre as principais peças do time da casa e com Toti prendendo os zagueiros na área, o Operário passou a se impor em campo e teve mais chances de gol do que o Cambé. Na mais perigosa delas, Carlos Alberto Dias cobrou falta com perfeição, para uma defesa milagrosa de Colombo.
No segundo tempo, mais solto em campo, o Operário teve a iniciativa do jogo, porém esbarrou no debilitado condicionamento físico dos seus atletas, que começaram a sentir o desgaste da viagem no dia do jogo. Baiano foi o primeiro a acusar a fadiga, deixando o campo com fortes cãibras, para a entrada de Hernandes. Depois também deixariam o gramado Carlos Alberto Dias e Dinei. Wilton e Thiago entraram bem na partida e finalizaram a gol em duas oportunidades, obrigando o goleiro do Cambé a fazer importantes defesas.
Cleivaldo Bernardo mostrou cinco cartões amarelos para jogadores do Operário. Marcelo Foto e Juliano receberam o terceiro. Dinei, Dias e Osmar completam a lista. O Operário jogou com Rudi; Gustavo, Baiano (Hernandes), Juliano e Anderson; Marcelo Foto, Leomar, Carlos Alberto Dias (Thiago) e Dinei (Wilton); João Paulo e Toti. O Cambé jogou com Colombo; Augusto, Thiago Soller, Diógenes e Leandro; Daniel, Abimael, Alex Marcelino (Gilson) e Tupã; Esio (Edinho) e Macedo.
Árbitros “fazem a diferença”
Em meio às muitas dificuldades em Vila Oficinas, o Operário ainda enfrenta um problema que tem feito a diferença, principalmente nos jogos do Fantasma fora de casa. No último domingo, novamente a equipe alvinegra teria sido prejudicada pela arbitragem, que deixou de assinalar duas penalidades. A primeira aconteceu logo no início da partida, quando Toti foi agarrado dentro da área quando tentava subir para cabecear. No segundo tempo, João Paulo sofreu uma entrada por trás, ignorada tanto pelo assistente como pelo árbitro. Há uma semana, o Operário teve um gol legítimo anulado diante do Iguaçu.
“Os problemas são os bandeirinhas. É sacanagem o que vêm fazendo com a gente”, disse ontem o presidente Silvio Cosmoski, fazendo elogios à atuação do árbitro Cleivaldo Bernardo que apitou o jogo em Cambé. “Já liguei para a Federação e protestei contra a escalação de gente inexperiente em jogos decisivos como estes”, disse ontem o presidente alvinegro. “Não queremos ajuda de ninguém. Basta que não nos atrapalhem”, completa o presidente.
Ontem, a Comissão de Arbitragem da Federação Paranaense de Futebol definiu a escala de árbitros para segunda rodada do returno da segunda fase da Divisão de Acesso. Todos os jogos estão marcados para as 15 horas. Engenheiro Beltrão e Operário terá o apito de Paulo Amaral, com assistência de Emerson David Michels e Auro Bispo dos Santos.