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Operário entra em campo para despedida honrosa

Alvinegro encerra temporada sem chegar a lugar algum;
sonho da volta à primeira divisão foi mais uma vez adiado

- Neomil Macedo -Diário dos Campos

O Operário Ferroviário, de 94 anos de tradição (o mais antigo do interior do Estado em atividade), encerra hoje uma campanha marcada pelos problemas de ordem financeira e estruturais do clube. Dificuldades essas que tiveram influência direta no desempenho da equipe em campo e resultaram na sua eliminação da Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense, sem ao menos dar o gosto à sua torcida de decidir, em casa, a vaga para o quadrangular final do certame. Hoje, diante do Iguaçu, de União da Vitória, às 15h30, no Estádio Germano Kruger, o Fantasma apenas cumpre tabela. Já o visitante, precisa de um empate para ratificar sua classificação, sem correr o risco de ver o Cambé golear o Engenheiro Beltrão, tirando-lhe a a vaga para a fase seguinte da competição, que apontará as duas equipes que sobem para a Série Ouro de 2007.
Apesar de todo o sofrimento presente no dia-a-dia do Operário, sempre em busca de recursos para ter o mínimo necessário para a manutenção de um time profissional de futebol, há quem atribua a desclassificação do alvinegro a uma herança já denominada “maldita”, que, de certa forma, condena o glorioso Fantasma a permanecer na segunda divisão “ad eternum”. Trata-se do “caso bruxo”, que eclodiu em Vila Oficinas, no ano passado, a partir de declarações bombásticas do ex-presidente do clube, Silvio Gubert, a um programa da ESPN Brasil (emissora por assinatura), e que provocou um a “tsunami” na arbitragem do Estado. A vingança estaria em curso, de forma velada e cirúrgica. A diretoria alvinegra não admite isso abertamente, mas, no mínimo, acha estranhos os erros cometidos pelas arbitragens nos jogos do Operário longe de Vila Oficinas, principalmente nesta segunda fase do certame, em lances capitais, que determinaram o resultado da partida, sempre em prejuízo do Fantasma.
Uma certeza o presidente Silvio Cosmoski diz que tem. A Federação Paranaense de Futebol (FPF) não tem nada com isso. O dirigente alvinegro acredita, piamente, que o presidente da FPF, Onaireves Rolim de Moura, quer o Operário na primeira divisão do futebol do Estado, de olho, principalmente, nas arrecadações dos jogos em Vila Oficinas. Ainda que a torcida alvinegra tenha “abandonado” o time na atual temporada, o Operário é disparado o clube que mais arrecadou no campeonato. Nos sete jogos que fez no Germano Kruger, o Operário arrecadou R$ 78,1 mil (renda bruta), dinheiro insuficiente para pagar os dois meses de salários atrasados do clube, mas muito superior ao arrecadado pelas demais equipes da Divisão de Acesso, que, invariavelmente, tiveram déficit de arrecadação em seus estádios. Na última quarta-feira, por exemplo, o Engenheiro Beltrão arrecadou R$ 1.330 e teve despesas de R$ 2.136,90 (déficit de 806,90).
Cosmoski acredita tanto na força da torcida alvinegra que espera um convite da FPF para disputar a primeira fase da Série Ouro do Campeonato Paranaense, a partir do próximo mês. Quando do seu retorno ao comando da entidade, após um período de reclusão no presídio do Ahú, o presidente Onaireves Moura, teria se comprometido a colocar na primeira divisão, além do campeão e vice da Divisão de Acesso, também os dois clubes com maiores rendas e público do certame. No arbitral da Série Ouro, realizado no último dia 28, nada se falou a respeito, mas para o presidente do Operário, que não desiste do sonho de ver o Operário novamente na “elite” do futebol paranaense, a promessa ainda está em pé. Tanto que ele também ainda alimenta a esperança de fechar uma parceria para a terceirização do Departamento de Futebol do Clube. É esperar para ver.

Equipe defende profissionalismo

O compromisso do Operário Ferroviário hoje diante do Iguaçu é com a sua história. Por isso, o time entra em campo motivado para despedir-se do campeonato de forma digna. No treino da sexta-feira, o técnico Ricardo Pinto, procurou incentivar os seus comandados, apelando principalmente para o aspecto profissional, de deixar uma boa impressão e abrir portas para trabalhar em outras agremiações.
Num breve balanço da sua segunda passagem por Vila Oficinas, o treinador diz que mais uma vez sai recompensado pela experiência e a certeza de de feito tudo o que estava ao seu alcance para levar o Operário ao objetivo de subir para a primeira divisão. “Não cabe agora ficar divagando sobre o que teria dado errado, porque, de fato, nos faltou a competência para vencer os jogos”, comenta Ricardo Pinto, sem deixar de elogiar a postura do elenco alvinegro, que se manteve unido ante todas as dificuldades.
Para a partida de hoje, o Operário terá os retornos do zagueiro Juliano e do volante Marcelo Foto. Porém, terá os desfalques dos zagueiros Hernandes, com o terceiro cartão amarelo, e Baiano, expulso em Engenheiro Beltrão. O lateral Gustavo, outro com cartão vermelho na última rodada, não joga. Bahia deverá ser improvisado na zaga, ao lado de Juliano. Na ala-direita Henrique ganha mais uma chance de mostrar o futebol. Marcelo Foto volta a formar dupla com Leomar, na proteção à zaga. Nas demais posições, o treinador mantém os jogadores que atuaram em Engenheiro Beltrão. Toti, que sentia dores no joelho e, a princípio não jogaria, ontem foi confirmado para o jogo. Assim , o time terá Osmar; Henrique, Bahia, Juliano e Anderson; Marcelo Foto, Leomar, Carlos Alberto Dias e Dinei; Toti e João Paulo.

Última rodada põe uma vaga em jogo

A última rodada da segunda fase da Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense, marcada para este domingo, com três jogos às 15h30, vai apontar o último classificado para o quadrangular final do torneio. A briga está entre Iguaçu e Cambé que não jogam entre si e disputam a segunda colocação do grupo E. Portuguesa Londrinense, Cascavel e Engenheiro Beltrão já têm vaga garantida.
O Iguaçu (oito pontos e saldo positivo de três gols) enfrenta o Operário precisando apenas de um empate. Já o Cambé (cinco pontos e saldo negativo de três gols) recebe o Engenheiro necessitando de uma vitória (de goleada), de uma derrota do concorrente e ainda de eliminar a diferença no saldo de gols e no critério de gols a favor (8 a 2 pró-Iguaçu).
Pelo grupo D, a Portuguesa visita o rival Londrina-B no estádio do Café apenas para cumprir tabela. O jogo entre Cascavel e Paraná-B, que seria realizado em Cascavel, foi cancelado de comum acordo.

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Categoria(s): Notícias

 

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