De modos simples e idealista, Cosmoski não conseguir levar o time à primeira divisão
Neomil Macedo – Diário dos Campos
O presidente Silvio Cosmoski Júnior, do Operário Ferroviário, passa o cargo para Carlos Roberto Iurk, hoje às 19h30, em Vila Oficinas, sem ter realizado o seu grande sonho. “Sem dúvida alguma a maior tristeza que levo desses quatro anos em que estive à frente do clube é não ter conseguido subir o time para a primeira divisão”, disse o atual mandatário do Fantasma à reportagem do DC, ontem, ao mesmo tempo em que se mostrava feliz pela terceirização do Departamento de Futebol para o deputado Jocelito Canto (PTB). “Se não fosse por ele, a cidade ficaria sem futebol”, comenta o presidente, lembrando que o ex-prefeito foi uma das pessoas que estiveram ao seu lado nos momentos mais críticos das campanhas de 2005 e 2006, principalmente. “Estarei pronto para dar minha contribuição ao Jocelito e às pessoas que estiverem trabalhando com ele, porque o Operário está acima da de qualquer disputa política”.
Na coluna das decepções que teve nesse período, Cosmoski coloca a falta de apoio dos empresários da cidade às inúmeras promoções que lançou para a arrecadação de recursos. “Se tivéssemos o apoio necessário hoje não precisaríamos montar um time sub-23 para disputar o campeonato”, diz ele, lembrando dos vários garotos revelados pelo Operário nos últimos anos, que hoje estão vestindo a camisa de equipes da primeira divisão. O caso mais emblemático é o de Lisa, atualmente no América de Natal. Sem calendário, o Operário não teve como segurar o atleta, cuja venda, hoje, poderia resolver toda a situação financeira do clube. Nesse caso, também se enquadram Mandagua e Elisson, que disputam a Copa São Paulo, pelo Paraná e Iraty. “Formamos esses jogadores e não vamos receber um centavo sequer por isso”, lamenta.
Às suas lamentações, Cosmoski ainda soma a falta de apoio interno em Vila Oficinas. “O associado deveria ser o primeiro a apoiar as iniciativas e vestir a camisa do clube, mas infelizmente isso não acontece”, desabafa o presidente. Segundo ele, o sócio que, no dia de jogo quer entrar de graça no estádio ou pagar meio ingresso, é o mesmo sócio que, nos bastidores, se declara contra o futebol no clube. “Enquanto, aqui dentro, não tivermos essa consciência de que o Operário nasceu do futebol e que só existe graças ao futebol, qualquer tentativa de reerguer o clube morrerá no nascedouro”, sentencia o presidente, derrotado nas urnas, segundo ele, pela turma dos “campinhos”. “O Operário é muito maior do que isso (os campos de suíço)”, diz.
Apesar de não conseguir voltar à primeira divisão, Cosmoski diz que deixa a presidência com saldo positivo. “Conseguimos devolver o estádio e o futebol para a cidade”, diz o dirigente, lembrando da interdição do Estádio Germano Kruger em 2002, situação que perdurou até o final de 2003, quando foi formalizado o acordo com a Prefeitura (governo Péricles de Holleben Mello). Em 2004, totalmente reformado, o estádio foi reaberto para marcar o retorno do Operário ao futebol profissional. “Naquele ano, tínhamos os recursos, mas acredito que pecamos por depositar total confiança na comissão técnica, devido à nossa inexperiência como dirigentes”, confessa Cosmoski. Em 2005 e 2006, sem o apoio do Município (Péricles foi derrotado nas urnas por Pedro Wosgrau Filho), o clube apenas acumulou dívidas, estimadas hoje entre R$ 150 mil e R$ 200 mil.
“Caso Bruxo” foi maior frustração
Apesar de enumerar a falta de apoio dos empresários e do governo como uma das suas grandes decepções, Silvio Cosmoski diz que nada supera o “Caso Bruxo”. Para ele, esse é um capítulo à parte na sua gestão, por ter representado de fato uma grande frustração, com uma pessoa que até então se mostrava um companheiro de todas as horas. Ele se refere ao ex-presidente do clube e ex-presidente do Conselho Deliberativo, Silvio Gubert, personagem central do maior escândalo da arbitragem no Paraná, que ficou conhecido como “Caso Bruxo”. Gubert deflagrou uma série de denúncias, ao admitir à reportagem da ESPN Brasil, no especial ‘Futebol de Prata e de Lama’, que o Operário teria sido coagido a contribuir com um esquema de fabricação de resultados, comando de dentro da Federação Paranaense de Futebol, por um tal “bruxo”.
Para o presidente alvinegro, sem dúvida alguma, a eliminação do time na semifinal da Série Prata, em 2005, diante do Galo Maringá, foi reflexo do “Caso Bruxo”. “Essa foi a maior de todas as minhas decepções”, reafirma Cosmoski, enfatizando que, se não fosse esse polêmico caso, hoje o Operário estaria na primeira divisão. “Não havia time melhor do que o Operário naquele ano”, observa o presidente, recordando que enquanto Vila Oficinas tinha casa cheia a cada rodada, os demais clubes precisavam distribuir ingressos de graça para levar gente ao estádio.
Cosmoski acredita que os reflexos do escândalo se estenderam para temporada 2006, quando além de não conseguir apoio dos empresários, o Operário foi prejudicado pelas arbitragens e ainda viu a sua torcida comparecer cada vez em menor número ao Germano Kruger. Isso tudo agravou ainda mais a situação financeira do clube, culminando com mais uma eliminação da equipe, diante de adversários teoricamente inferiores.
Dirigente quer reescrever história
A posse de Carlos Roberto Iurk, hoje, será o ponta-pé inicial para um novo tempo em Vila Oficinas. Esse é o pensamento do presidente eleito em 3 de dezembro último, que volta a dirigir o alvinegro após nove anos. Este será o quarto mandato de Iurk. Na sua primeira passagem pelo cargo 1993 e 1994, ele entrou para a história do clube. Em 94, o Operário havia caído para a Divisão Intermediária e, sem recursos, entrou com pedido de licença por três anos junto à Federação Paranaense de Futebol. Iurk ainda permaneceu na direção por mais dois mandatos. No entanto o retorno ao futebol profissional ocorreu apenas 10 anos depois, em 2004, sob o comando de Silvio Cosmoski.
Logo após a sua eleição, Iurk parecia fadado a repetir a história. Com a perspectiva de assumir um clube endividado, ele anunciava que o Operário novamente iria se retirar das disputas do Campeonato Paranaense. “É o mais sensato neste momento”, dizia, afirmando que não adiantaria entrar na disputa de um campeonato deficitário apenas para acumular mais dívidas”. A esperança de Iurk era o surgimento de um fato extraordinário, capaz de mudar toda a situação. O “extraordinário” se materializou no deputado Jocelito Canto, que resolveu assumir o Departamento de Futebol de Vila Oficinas, “em nome da história e da cultura do futebol em Ponta Grossa”.
Confiante, Iurk pensa agora em reescrever a sua participação na história do futebol da cidade. Ele confessa que já sente esses novos fluídos, a partir da repercussão da parceria com o deputado Jocelito Canto. “Estamos recebendo diversas manifestações de apoio, que esperamos se convertam em contribuições para o projeto que não é para apenas uma temporada”, diz o presidente eleito. Nas conversações com Jocelito, Iurk não abriu mão da manutenção das categorias de base em Vila Oficinas. “Se não houver uma continuidade não há razão em disputar o campeonato”, afirma, revelando que a equipe montada para a Divisão de Acesso, será a base para a disputa do Campeonato Paranaense de Juniores.
As “peneiras” em Vila Oficinas, iniciam na segunda-feira, sob o comando do técnico Carlos Antônio de Souza (não Antônio Carlos de Souza, como foi publicado anteriormente), conhecido por Nunes.