Ex-goleiro é novo treinador do Operário
Jocelito demite treinador no hotel, antes do jogo com o Foz; novo técnico conversa com o elenco hoje, às 9 horas
Neomil Macedo - Diário dos Campos
O Operário Ferroviário inicia os treinamentos da semana, hoje, sob o comando do ex-goleiro Paulo Roberto de Oliveira, 53 anos, que tem larga experiência no trabalho com categorias de base. Ele substitui o treinador Carlos Nunes, demitido no último domingo de manhã, em Foz do Iguaçu, antes da partida contra o Auritânia/Foz do Iguaçu, pela terceira rodada da primeira fase da Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense. Sob o comando do preparador físico João Carlos Strickert e do preparador de goleiros Luiz Carlos, no Estádio do ABC, o Fantasma conheceu sua primeira derrota no campeonato (3 a 2), caindo para a quinta colocação na classificação. A apresentação do novo treinador está marcada para hoje, às 9 horas, em Vila Oficinas.
Em entrevista ao Diário dos Campos, no final da tarde de ontem, Paulo Roberto de Oliveira confirmou a assinatura de contrato com o Operário Ferroviário, em negociações que envolveram o deputado Jocelito Canto, diretor de futebol, e o empresário Walter Samara, que dirige a ‘ONG’ Amigos do Operário, criada para administrar o Departamento de Futebol de Vila Oficinas. As negociações com o novo treinador transcorriam há algum tempo. Paulo Roberto revelou ontem ter assistido à vitória do Operário sobre o Campo Mourão ( 1 a 0), no último dia 1º abril. Com isso, fica evidente que o cargo do ex-técnico Nunes estava mesmo por um fio. O próprio Nunes admitia que as pressões externas e internas eram grandes e que já teria deixado o time, caso não vencesse o Sport Clube de Campo Mourão.
Como já viu o Operário em ação, Paulo Roberto afirma que o time é bom, necessitando apenas de alguns ajustes táticos. “O Leonardo e o Gomes já trabalharam comigo no Malutrom (hoje J.Malucelli)”, disse o treinador. Sobre a necessidade de contratações ele brinca, dizendo que “time de futebol é igual a casa da gente: sempre precisa fazer alguma coisinha”. Contudo, explica que fará uma avaliação do estágio físico e técnico em que se encontram os jogadores, para, só depois, apontar setores onde precisará de reforços.
No quesito experiência, porém, Paulo Roberto não difere em muito do demitido Carlos Nunes. A carreira de mais de 20 anos do novo comandante técnico do alvinegro foi construída em categorias de base. Depois de pendurar as luvas (no Paraná, jogou no Colorado, Paranavaí e Centenário do Sul), ele treinou as categorias menores do Colorado, Atlético Paranaense e Malutrom. No Furacão, teve três passagens, uma delas como treinador de goleiros do time principal. Como auxiliar técnico, atuou ao lado de Mauro Madureira, na Francana, em 2001. No exterior, foi ajudante do ex-zagueiro Zequinha (Colorado), na China, de 2000 a 2001.
No ano passado, Paulo Roberto teve uma rápida passagem pelo Iraty (três meses), como gerente de Futebol. “No gostei da função, meu negócio e trabalhar nas quatro linhas”, comenta o treinador, que encara a oportunidade dirigir o Operário como um novo desafio na sua carreira, repetindo o que dissera Nunes, quando assumiu o comando do alvinegro. Até que Paulo Roberto fosse confirmado ontem como novo treinador do Fantasma, a crônica esportiva da cidade cogitava a contratação de treinadores mais experientes, como Itamar Bernardes, do Galo Adap; Orlando Bianchini, do Iguaçu de União da Vitória, e Val de Mello, do Cascavel, todos nomes que fogem à filosofia de gastos modestos do clube.
Equipe teve melhor atuação
Bem ao seu estilo, o deputado Jocelito Canto tentou, no domingo, dar uma “mãozinha” ao preparador físico João Carlos Strickert, no comando do time. Para ele, o Operário fez sua melhor partida no campeonato e, jamais, merecia a derrota. O Operário começou o jogo dominando o Auritânia. Logo aos 4 minutos, Fumaça abriu o marcador e acabou com o jejum do ataque alvinegro. Porém, o time não soube suportar a pressão do adversário. Em dois minutos, Foz virou o jogo, com Oliveira (24 min) e Paulo Henrique (26min). Nas duas oportunidades, houve falha de marcação do lateral-direito Henrique, o “salvador da pátria alvinegra”, nas duas primeiras rodadas. O empate veio ainda no primeiro tempo, através de Roni (36min). Na segunda etapa, Oliveira deu números finais ao placar (3 a 2), marcando de cabeça (9min).
Nunes afirma que foi traído e denuncia ‘farra’
O ex-treinador do Operário Ferroviário, Carlos Nunes, disparou ontem sua metralhadora giratória contra integrantes da comissão técnica do alvinegro, que teriam conspirado pela sua demissão. O alvo principal é o preparador físico João Carlos Strickert que, ao lado do supervisor Amadeus Santos, teria “feito a cabeça” empresário Walter Sâmara e, este, por sua vez, convenceu o deputado Jocelito Canto, a demitir o treinador. “Ele (Jocelito) quis interferir na escalação do time. Isso não admito, poque não sou fantoche”, disse Nunes.
A gota d’água para a demissão do técnico alvinegro caiu durante o jantar em um hotel de Foz do Iguaçu, no sábado. Jocelito teria questionado o treinador sobre o esquema de jogo para domingo, defendendo a escalação de três zagueiros. O recém-chegado Ismael formaria a trinca ao lado de Leonardo e Marcelo. Nunes havia treinado a semana toda com dois zagueiros e três volantes (Bruno, Fred Nelson e Gomes). “Não haveria como mudar um esquema, no dia do jogo”, afirma Nunes, revelando que, após uma discussão em pleno restaurante do hotel, membros da comissão técnica e da diretoria e pessoal de impresa, que viajou junto com o time a contragosto do treinador, teriam se dirigido a um bar (cassino) para beber, enquanto ele se desdobrava para impedir que os jogadores levassem mulheres para os quartos. “Havia muitas argentinas e paraguaias no hotel”.
Nunes recebeu o seu “presente” de Páscoa no domingo de manhã. “Fiquei sabendo que não era mais o treinador através dos jogadores, que me perguntaram por que eu havia sido demitido”. O auxiliar técnico Chicão, que segundo Nunes não tinha nada com a história, também caiu. “Deixei o time com uma campanha invicta (quatro vitórias e dois empates); e eles caíram do cavalo”, completa o ex-treinador, referindo-se a Strickert, Luiz Carlos, Amadeus e Jocelito que levaram o time a campo sem mudar o esquema tático e foram derrotados pelo Auritânia/Foz. “Se eu estivesse lá, não perderíamos aquele jogo”, desabafa.
Magoado, Nunes diz que vai procurar os seus direitos e processar as pessoas que conspiraram contra o seu trabalho. Ele comenta que o clube está em dia com os salários. “Falta apenas o pagamento desse último mês, mais os encargos”,diz o treinador, revelando, porém, que até o momento não teve sua carteira assinada. O contrato com o Operário iria até novembro. “Vamos ver como vai ficar isso”, completa. Para ele a demissão, na circunstância em que ocorreu, foi uma traição, que mostrou a falta de profissionalismo existente em Vila Oficinas. “São pessoas incompetentes que vivem encostadas em outra (no caso o deputado Jocelito Canto)”.
Jocelito justifica demissão e protesta contra árbitro
O deputado Jocelito Canto justificou ontem a troca de comando técnico do Operário Ferroviário, dizendo o treinador Carlos Nunes vinha tendo atritos com os demais membros da comissão técnica há algum tempo. “Ele teve problemas com o Strickert e com o Amadeus, que nós não pudemos relevar”, disse o diretor de Futebol do alvinegro. “Não tenho nada contra o Nunes e acho que ele fez um bom trabalho”, completa o deputado. Para ele, o time do Fantasma é bom. “Precisa apenas de um padrão de jogo e organização tática”.
Sobre o novo treinador, Jocelito afirma que se trata de uma pessoa que tem bastante experiência no trabalho com jogadores jovens, referindo-se à limitação de 23 anos de idade, na Divisão de Acesso. “Acho que talvez tenha faltado isso ao Nunes”, diz, comentando que se for preciso contratar reforços a diretoria vai se esforçar para dar suporte à comissão técnica. Como toda a crônica esportiva da cidade e a torcida alvinegra, Jocelito acha que o time precisa urgentemente de um goleador. “O novo treinador vai se encarregar dessa tarefa”, diz.
Revoltado com a parcialidade da arbitragem em Foz do Iguaçu, Jocelito diz que entrará ainda esta semana com uma representação na Federação Paranaense de Futebol. “Ele (o árbitro Almir Ruiz Garcia) teve influência direta no resultado da partida”. Jocelito reclama de um pênalti escandaloso no atacante Fumaça; a bola do segundo gols do Foz, que não teria entrado; e um impedimento no gol da vitória do Foz. “Temos que inibir esse tipo de coisa”.
o nunes e seu assistente tavam mal mesmo, nao precisava nem de desculpa pra demissao…
o time jogava devagar demais e criava duas chances de gol por jogo… e nao consegue converter todas obviamente…
espero q o paulo chegue e monte um time de mais respeito…
Gabriel escreveu em April 10th, 2007 at 8:42 pm