Corte de pelo menos 10 jogadores deverá ser anunciado amanhã pela manhã; grupo gestor promete apresentar também lista de reforços
Neomil Macedo – Diário dos Campos
O Operário Ferroviário prepara uma lista de dispensa de pelo menos 10 atletas, a ser anunciada amanhã de manhã, em Vila Oficinas, quando também deverão ser apresentados novos contratados. Esta é a primeira reação da diretoria à derrota para o Francisco Beltrão (2 a 0), no último domingo, em pleno Estádio Germano Kruger, diante de um público de quase três mil pessoas (a renda chegou próximo a R$ 8 mil). A equipe se reapresentou ontem, em Vila Oficinas, ao técnico Paulo Roberto de Oliveira, que não deu folga a ninguém. Hoje, os jogadores que não participaram do vexame do último domingo disputam um jogo-treino contra o J.Malucelli, em Curitiba. Cogita-se que o time de São José dos Pinhais deva ceder mais alguns jogadores ao Fantasma.
O supervisor Amadeus dos Santos disse ontem que não foi autorizado a falar sobre as dispensas, nem mesmo a quantidade de jogadores que receberão a passagem de volta de para suas casas. “Vocês vão ficar sabendo de tudo amanhã”, disse ele, comentando que as dispensas fazem parte de um planejamento feito pela diretoria em conjunto com a comissão técnica. O plano foi iniciado com a troca de comando técnico, com a saída de Carlos Nunes e a chegada de Paulo Roberto de Oliveira. No seu primeiro dia trabalho em Vila Oficinas, o novo técnico já indicou pelo menos cinco jogadores para o grupo gestor do futebol alvinegro, três deles para as posições apontadas como as mais carentes do time: a lateral-direita, o meio-campo e o ataque.
Dois jogadores chegaram no final de semana e já assinaram contrato com o clube, mesmo sem uma avaliação mais apurada do treinador, no trabalho com bola. Um deles é o lateral Flávio Brandão, que vem do time B do Internacional de Porto Alegre; o outro é o atacante Leo, que estava atuando no futebol mineiro e tem passagem pela Hungria. O supervisor Amadeus dos Santos tentou também (sem sucesso, até ontem), a contratação de três indicados do treinador, que vinham atuando no futebol catarinense, o meia Neto; o lateral-direito Eder; e o atacante Maxwell. Neto esteve mais próximo de vir para Ponta Grossa. O acerto final esbarrou na questão financeira. O atleta queria ganhar bem mais do que recebe no Joinville.
Apesar de o goleiro Renato não ter culpa em nenhum dos seis gols sofridos pela equipe até agora, o gol é um dos setores que deverá sofrer mudanças. Ainda ontem à noite deveria chegar à cidade o goleiro Marcos, que já esteve em Vila Oficinas, em 2006, no período de preparação da equipe, então comandada pelo técnico Ricardo Pinto. De estatura avantajada, ele teria sido um dos pedidos do preparador de goleiros Luiz Carlos, que desde o início da temporada vem solicitando à diretoria um arqueiro mais experiente. A passagem de Marcos por Vila Oficinas foi manchada por um “contratempo” com o técnico Ricardo Pinto, que exigia dos seus comandados respeito a todos no clube, desde o presidente ao mais humilde funcionário. Marcos teria quebrado esse ‘pacto’.
‘Chico Beltrão’ abusou do antijogo
O domingo 14 de abril é um dia para ser apagado da história do Operário Ferroviário. A partida contra o Francisco Beltrão, líder da Divisão de Acesso, deveria ser um divisor de águas na campanha do alvinegro, a começar pela estréia do técnico Paulo Roberto de Oliveira,que chegou a Vila Oficinas, com um discurso de conciliação e mostrou, durante a semana, que colocaria em campo um time diferente, acima de tudo motivado. Com uma proposta de jogo bem definida, parando todas as jogadas na intermediária, no chamado antijogo, e explorando com competência os contra-ataques, o “Chico Beltrão” tratou de dar um ar de tragédia ao “final feliz” que o Operário vislumbrava para o seu domingo.
A tragédia alvinegra teve início logo aos 4 minutos de jogo. O atacante Baby, do Francisco Beltrão, encontrou espaço na defesa alvinegra e resolveu testar o goleiro Renato, que colocou a bola para escanteio. Na cobrança, André tocou a bola no primeiro pau, na tentativa de encontrar alguém no meio da área. O lateral alvinegro Gustavo, junto à trave, colocou a bola para dentro do gol. Na súmula, o tento foi consignado para André. Era tudo que o “Chico Beltrão” queria. A partir daí ficou desenhado o que o até então líder do campeonato viera fazer em Ponta Grossa. Apenas no primeiro tempo, o “Chico” fez 35 faltas.
As mudanças feitas pelo técnico Paulo Roberto, com Matos na lateral-direita, no lugar de Henrique; e Gomes no lugar de Bruno, com o volante Fred Nelson jogando mais avançado, não surtiram efeito. O time apenas tocava bola lateralmente. Quando tentava uma jogada mais aguda, quase sempre o passe saía errado. Logo Matos deu lugar a Henrique, que melhorou o jogo “ofensivo” do alvinegro. Fumaça, longe da área, tentava surpreender o goleiro Leonardo. Aos 42 do segundo tempo, o Beltrão marcou o seu segundo gol e matou o jogo. Num rápido contra-ataque, Baby não teve trabalho para vencer o goleiro Renato.
No segundo tempo, o Francisco Beltrão apenas administrou o jogo, novamente com número excessivo de faltas, consentido pelo árbitro Cristiano Nunes Duarte, que deixou de anotar um pênalti flagrante cometido no atacante Alexandro, do Operário. Alexandro foi uma das tentativas do técnico de reverter o resultado. Ele entrou no lugar de Wilton. Bruno também foi chamado e, sob aplausos da torcida, substituiu Vitor Nunes. Já no final, desolada, a torcida vaiou o time e aplaudiu o Beltrão. O técnico Paulo Roberto estreou, logo de cara, sendo chamado de “burro” pelos torcedores mais exaltados.
Treinador diz que precisa trocar time inteiro
Nas entrevistas que deu logo após a derrota para o Francisco Beltrão, o técnico Paulo Roberto de Oliveira foi taxativo ao dizer que com esse time o Operário não vai a lugar nenhum. “Precisa trocar tudo”,disse o treinador, comentando que fez o que pode, com o material que tinha em mãos, reafirmando o que já havia dito no coletivo da última quinta-feira (o único da semana), quando afirmou que não havia gostado do treino, principalmente, devido ao grande número de passes errados do time, um fundamento básico do futebol. “Se eles não conseguem fazer um passe de dois metros, como posso exigir que façam um lançamento mais longo”, dizia.
Paulo Roberto ainda reclamou que os jogadores não fizeram o que ele treinou durante a semana, referindo-se principalmente à jogadas ensaiadas na saída de bola, cobranças de faltas e escanteios. Com pouco tempo para ajustar o time taticamente, ele acreditava que poderia vencer o jogo numa jogada de bola parada. Ontem, na reapresentação do time, o treinador voltou a trabalhar, até exaustivamente, esse tipo jogada. Como não é adepto de coletivos diários, mesmo recebendo jogadores novos, Paulo Roberto deverá comandar apenas um treino do gênero na quinta-feira. No próximo domingo, o Operário faz um “jogo de seis pontos”, com o Real Brasil, em Curitiba. O sinal de alerta está acesso em Vila Oficinas.
Divisão de Acesso
4.ª rodada
Toledo Colônia Work 4 x 0 Real Brasil
Operário Ferroviário 0 x 2 Francisco Beltrão
Pitanguense 0 x 0 Sport Campo Mourão
Umuarama 1 x 1 Foz do Iguaçu
5.ª rodada
Francisco Beltrão x Umuarama
Foz do Iguaçu x Sport Campo Mourão
Toledo Colônia Work x Pitanguense
Real Brasil x Operário Ferroviário
Classificação
1º Toledo Colônia Work 10
Francisco Beltrão 10
3º Foz do Iguaçu 7
Real Brasil 7
5º Operário Ferroviário 4
6º Umuarama 2
Sport Campo Mourão 2
8º Pitanguense 1